Conheça um pouco da História de Luanda

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Luanda começou por um pedaço de terra que cabia no sonho de uma caravela. Depois, cresceu com a imaginação dos homens que nela viveram e por ela lutaram e pelas páginas de sua história estão repletas de figuras que construíram ruas, jardins, monumentos e igrejas, a que por vezes emprestaram o seu nome. Banhada pela baía, ergue-se majestosa cidade de Luanda, cidade sensual e verdadeira manta de retalhos composta por etnias. Outrora terra do Rei do Congo, onde se extraiam búzio chamado zimbos, a sua fundação teve início em 11 de Fevereiro de 1575, quando os portugueses Paulo Dias de Novais se estabeleceu na Ilha frente a baía de Luanda. Um ano mais tarde ergueu-se, sobranceira a ilha, povoação de S. Paulo, que em 1605 ganhou o estatuto de cidade, a primeira erguida pelos europeus da Costa Ocidental de África. Cedo se tornou um porto de embarque de escravos para as plantações no Brasil e na América Do Norte. Devido a sua intensa atividade portuária, Luanda tornou-se num ponto de encontro de raças e cultura, originando uma sociedade com características e vivencias próprias que ainda perduram. Hoje é uma cidade cosmopolitana onde vive pelo menos um terço da população de Angola e na qual se cruzam os diversos elementos culturais angolanos com outras origens.

Luanda é a porta d entrada para este mundo turisticamente pouco explorado. Assente na baía que leva o seu nome, Luanda é muito mais do que se possa imaginar. A Av. 4 de Fevereiro, 5tambem conhecida como a Marginal. É um dos principais cartões de visita da cidade, juntamente com as águas tranquilas da Ilha do cabo, ideais para a prática de desportos náuticos.

Nos arredores da cidade, além do encanto natural da Baía do Mussulo, a beleza selvagem do Miradouro da Lua e a foz do rio Kwanza são atrativos ímpares, obrigatório para os apreciadores de grandes cenários naturais. Para aqueles que buscam atrativos de carácter cultural, Luanda é o principal centro de comercialização do riquíssimo artesanato angolano, fruto das diversas etnias que habitam o interior do país. Luanda conta atualmente com nove municípios: Cacuaco, Cazenga, Viana, Quiçama, Icolo e Bengo, Luanda, Belas, Talatona e Kilamba Kiaxi é um centro vivo no coração do Angola e do continente Africano. Para além de ser o centro de decisões dom país, é também o centro de desenvolvimento económico do continente africano. Luanda é uma das cidades a nível mundial que apresentam uma das maiores oportunidades em termos de crescimento económico. A estabilidade económica e política são um dos fatores que garantem a segurança de investimento nacional e estrangeiro em várias áreas económicas e em sectores de atividades diversificados.


O âmbito territorial da Província de Luanda, que engloba a cidade capital da República de Angola, situa-se na parte setentrional e ocidental do país e a zona integra-se quase totalmente na região semi-árida do litoral, de clima tropical quente e seco. A estação seca ou do cacimbo é bastante curta, correspondendo ao período seco do ano, sendo o período de Junho a Agosto a época mais fria do ano. Apesar de se localizar numa zona sub-tropical, tem um clima que não reflete esta condição, devido a confluencia de três factores: A corrente fria de Benguela, O relevo do interior e a influência do deserto do Namibe.

Em consequência o clima de Angola é caracterizado por duas estações, a das chuvas (de Outubro a Abril) e a do cacimbo (de Maio a Agosto), mais seca e com temperatura mais baixas. A temperatura media anua está compreendida entre os 25 e os 26 °C com um máximo no quadro de (27 °C), coincidente com a máxima altura pluviométrica e um mínimo em Julho e Agosto (23,3ºC), sendo o interior mais quente e descendo a orla litoral um pouco abaixo dos 25 °C. A província de Luanda, é cruzada por dois grandes rios, o Bengo a norte e o Kwanza a sul, que correndo do interior para o Atlântico originam planícies de aluviões.

As cidades é que sabem onde querem ser e a localização da província de Luanda, resultado da sua beleza arrebatadora e do seu posicionamento estratégico, foi determinante para que aqui se fundasse há mais de quatro séculos. Segundo a interpretação etimológica, a palavra “Luanda” ou “Lwanda”, na grafia da língua kimbundo, significa “tributo”. A Ilha a que o termo se referia era, naquele tempo, feudo (fonte de renda) do Rei do Congo e o zimbo nele explorado servia de instrumento monetário de larga circulação em toda a região. Desse modo, os habitantes da região eram tributários do Rei do Congo. Luanda é uma cidade que se foi inventando a si própria. Corpo vivo de um mistério passado, nasceu da vontade dos homens que sonharam de olhos abertos com efeitos grandiosos na conquista ou libertação. A forte atração excedida pela cidade, onde viveram reis e escravos, pescadores e marinheiros, aventureiro e missionários, locais e europeus, revelou-se desde o inicio da sua história. Primeiro capitania, depois vila e mais tarde cidade, as páginas da história de Luanda foram se escrevendo por muitas mãos. Cidade vasta e panorâmica, edificada sob a forma de anfiteatro, Luanda caracteriza-se pela justa posição do modelo autóctone local e o modelo metropolitanos dos colonizadores. A combinação de todas estas construções, antigas e modernas, foram dando a cidade um aspecto característico próprio, nas duas partes bem distintas que organizavam a cidade: a cidade alta e a cidade baixa. O território angolano foi habitado desde a idade da pedra, como indicam os vestígios de arte rupestre ao longo do litoral, mas foi na idade do ferro que se origina as primeiras migrações de povos mais evoluídos, vindo do norte do continente africano, provavelmente da região onde atualmente se situam a Nigéria e os Camarões, os Bantu introduziram em Angola novas técnicas como a metalúrgica, a cerâmica e a agricultura, criando então as primeiras comunidades agrícolas. Esse processo de fixação durou até o século X, altura em que se iniciou a fase de estruturação dos grupos étnicos e a consequente formação de reinos, que teriam começado a ficar autónomo no século XIII. Por volta de 1400, surgiram neste território dois grandes sistemas: o Reino do Congo e o Reino Ndongo. O mais poderoso foi o Reino do Congo, assim designado por causa do povo Congo que vivia, então como agora nas duas margens do curso final do rio Congo. O Mani Congo, ou Rei do Congo tinha autoridade sobre a maior parte da atual Angola, governando através de chefes menores que eram responsáveis pelas províncias.

O Reino do Ndongo era habitado pela etnia Kimbundo e o seu Rei tinha o título de Ngola, daí a origem do nome do país, Angola. Devido o seu prestígio e poder económico, os reinos começaram a conquistar a sua autonomia e eram território apetecível para marinheiros e colonizadores. Em Portugal, o Rei D. João II mostrava empenhado em levar a cabo dois grandiosos projetos, cuja realização, glorificando seu reinado, aumentaria extraordinariamente os domínios portugueses além-mar.Tratava-se das descobertas inauguradas sob o comando auspicioso do Infante D. Henrique e o prosseguimento das conquistas empreendidas por D. Afonso. Em 1482, um ano depois de assumir o governo, D. João II enviou Digo Cão, seu escudeiro, para descobrir sua descoberta para o sul de África. Este partiu de Lisboa em 1482 com duas caravelas, acompanhado do notável cosmográfico Martin Benheim, introdutor do astrolábio na navegação e autor do famoso globo de Nuremberg. Nesta expedição, Diogo Cão descobriu a foz do rio Zaire e a presença dos portugueses dividiu os reinos.

Diogo Cão foi bem acolhido pelo governador local do Reino do Congo, que desde logo estabeleceu relações comerciais com os colonizadores portugueses. Quando as caravelas portuguesas chegaram, a Ilha de Luanda era uma espécie de feudo, dotada de uma enorme importância financeira e depararam-se com a hostilidade do Reino de Ngola. Foi em 1575, quando o governador português Diogo Cão ter assinalado com os seus padrões toda a costa de Angola, entre 1482 e 1486 e do Zaire ao Cabo Negro, que Paulo0 Dias de Novais, futuro capitão-Mor das conquista do reino de Angola, desembarcou na Ilha de Luanda, habilitado com a carta donatária de 19 de Setembro 1571, de el-Rei D. sebastião, que o instituía como Primeiro Governador e conquistador do Reino de Angola, Paulo Dias de Novais partira de Lisboa, em 23 de Outubro de 1574, em sete navios com a armada que o acompanhava. Chegou a Ilha de Luanda em 11 de Fevereiro de 1575, com cerca de 700 pessoas, 350 das quais homens de armas, padres mercadores e servidores, estabelecendo o primeiro núcleo de portugueses, dispostos a efectuarem conquistas temporal espiritual da terra. Aqui encontrou, além de alguns compatriotas, muita gente que nela vivia, no dizer dos cronistas, “muito bem disposta ao cristianismo”. Um ano depois, reconhecendo que a ilha era pequena e por isso não constituir “o lugar acomodado ideal para a capital da conquista”, Paulo Dias de Novais avançou para terra firme e fundou, no porto que se localizava em frente a Ilha, a vila de São Paulo de Luanda. Logo de seguida lançou a primeira pedra para a edificação da igreja de São Sebastião e criou os cargos e ofícios necessários ao governo da nova colónia.
A fundação da capitania permitiu a apropriação pelos portugueses de espaços destinados a instalação de militares, religiosos e traficantes, com a finalidade de criar a sua autonomia política. Os núcleos costeiros tinham por função estratégica primordial proteger as operações comerciais ligado ao tráfico negreiro. O século XVII foi decisivo para a firmação de Luanda como ponto estratégico no comércio, entre África, Europa e Américas. As disputas territoriais pelas terras africanas envolviam países económica e militarmente mais forte que Portugal, como a França, Inglaterra e Alemanha, o que constituía motivo de grande preocupação para o reino instalado em Luanda, que começou sentir a urgência de um domínio mais eficaz do terreno conquistado. As primeiras perturbações causadas pelas investidas holandesas tiveram lugar em 1624 e 1633. Arma-se em Luanda cinco navios de guerra para combater os maus que ameaçavam o comércio em Benguela. Em 24 de Agosto de 1641, apareceu na baía a grande armada, sob o comando do Almirante Pedro houtbeen. Alarmados, o povo e o governo abandonaram a cidade, que caiu no poder dos holandeses. Salvador Correia de Sá e Benevides, que tinha realizado no Brasil uma notável obra de governação, quer em terra quer em mar, foi encarregado pelo Rei D. João IV para promover a restauração de Angola. Acompanhado de 1.200 e uma frota de 12 navios, fez-se ao mar em 16648, fundeando em 12 de Agosto na baía do Quicombo. A inclemência do mar faz perder um nau com 300 homens, mas mesmo sem eles, Salvador Correia de Sá fez chegou a baía de Luanda, com a admiração dos holandeses, convencidos tratar-se de simples guarda avançada de uma grande esquadra. Apressadamente se refugiam na fortaleza de S. Miguel, mas apôs o desembarque feito na manha seguinte, a 15 de Agosto e em assalto bem conduzido, o inimigo rendeu-se por menos pela metade de homens portugueses.
O nome da cidade foi mudada apôs a sua reconquista, passando a designar-se São Paulo de Assunção de Loanda, em homenagem a virgem, por ser aquele o dia da sua assunção. À sua volta foi crescendo e irradiando a vila, que mais tarde ganharia o contorno e o estatuto de cidade, tendo-se iniciado um novo período onde são notados os esforços para restauração do que havia sido destruído pela invasão holandesa. Algumas das edificações da época, com a fortaleza de S. Miguel, do penedo d Santa Cruz, varias igrejas, algumas já desaparecidas, os conventos dos jesuítas dos Terceiros Franciscanos, o Hospital da Misericórdia e casario diverso, principalmente na baixa da cidade, foram assim restaurados. Em 1662, Luanda foi elevada a condição de cidade, tendo os seus moradores privilégios iguais aos cidadãos do porto, em reconhecimento do ‘papel decisivo dos seus habitantes na reconquista de Angola. Por alvarás régios de 28 de Setembro e 9 de Dezembro de 19662, foram concedidos aos oficiais da câmara da cidade de Luanda e sus moradores, os mesmos privilégios dos cidadãos da cidade do Porto.
E se em 1621 documentos da época referiam “400 vizinhos” a Luanda, em 1800 essa população era calculada em mais de 6.000 habitantes. O aumento da população de Luanda e o crescimento da rede comercial encontravam-se em estreita relação. O volume de exportações da alfândega de Luanda representava cerca de um quarto do valor das exportações da colónia, sendo as principais mercadorias: café, algodão, couro, arroz e cera. O trabalho de restauração levado a cabo prolongou-se durante cerca de 100 anos entre as maiores dificuldades, como enfermidades, inércia aos maus hábitos. Entre as construções mais notáveis do fim do mesmo século, existiam ainda, muito bem conservadas, a igreja da Nossa Senhora de Nazaré, que o Governador André Vidal Negreiros iniciou em 1644; a igreja das Carmelitas, de 1633 e ainda a fortaleza de s. Miguel, com recinto fechado, de terra batida e alvenaria. Datam do século XVIII o acabamento da fortaleza de S. Pedro da barra, de S. Francisco de, no antigo lugar do Fonte do Penedo e outras obras de vulto como o quartel de infantaria (1754), agora demolido, o Palácio do Governo (1761), o Terreiro Público (1765), a Alfândega (1770 a 1779) e o passeio público de Nazaré (771).
A situação apenas se modificou em 1964 quando ascendeu a suprema magistratura de Angola um dos mais qualificados representantes da administração pombalina, D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho. Ficou para a história com a glória de ter determinado e levado a cabo alguns dos mais belos edifícios da cidade, como a Fortaleza de S. Francisco do Penedo. Ao fim de quase dois séculos contados desde sua fundação, mercê das lutas de extermínio travadas com os holandeses, da incompreensão dos homens e do resultado do descalabro financeiro da Província, Luanda tinha uma escassa população que mal se desenvolvia e apresentava-se muito aquém do alto destino do que podia aspirar, pelas suas condições naturais e económicas. Duas partes bem distintas organizavam a cidade: a cidade alta e a cidade baixa. A separação entre as duas cidades era marcada por um penhasco de desnível acentuado. Na cidade alta estavam instalados os principais representantes militares, civis e religiosos, como a Fortaleza de S. Miguel, o Palácio dos Governadores ou Tribunal e Junta da Fazenda Real ou o Hospital D. Maria Pia. Os comerciantes de marfim, ceras, tecidos, doçarias e vinhos reinavam sobre todas as classes. Os homens de negócios eram fazendeiros no sertão proprietário de extensas plantações de café, mandioca e cana de açúcar. Durante centenas de anos Angola assistiu a saída forçada para o Brasil de milhares de seus naturais. O negócio da escravatura era de tal forma notável que o estado tinha nele o seu principal esteio financeiro. Poucas eram ainda as casas da cidade nos meados do século XIX. As construções desse período são o mercado da Quitanda (1818), o primeiro cemitério (1806) e, já no fim do século o Hospital D. Maria Pia, notável ainda hoje pelo seu plano e grandeza e que as obras de vulto de anos recentes melhoram consideravelmente. O aumento da população e desenvolvimento comercial da cidade foram, como é natural os principais factores do seu engrandecimento e em Janeiro de 1800 a população era já de 6.500 habitantes. As características da urbanização da cidade foram tomando aspectos diferente, conforme a civilização e os conhecimentos de cada época. Até meados do século XVIII a urbanização foi subordinada as razões de ordem políticas, económica e geográfica. Apôs esta época aperfeiçoaram as práticas urbanísticas, como resultado da expansão colonial. Entraram em ação outros factores urbanos, com o saneamento a estética, melhoraram os meios defensivos coloniais e o abastecimento e distribuição de alimento. No século XIX produziram-se extraordinárias mutações no destino de Angola.Durante muito tempo, a economia de Angola girou m torno do comercio de escravos e da exploração do marfim, perfil este que foi alterado com a conquista de novas terras no interior e com a construção do caminho de ferro até Malange, abrindo novas possibilidades para o comercio com a abolição do tráfico da escravatura, a necessidade de reformular os processos comerciais, a estruturas económicas e sociais e as tendências humanitárias impuseram-se.A terra foi habitada por gente disposta a fixar suas raízes profunda no solo angolano, para a promoção do progresso e da civilização. No século XIX, a urbanização de Luanda avançou mais um grande passo e conheceu o progresso urbano. Na viragem do século XIX para o século XX, melhoraram todas as vias de acesso a cidade, tal como a pavimentação das ruas e a qualidade das edificações. A tudo isso não foi alheio o contributo imensurável dos caminhos de ferro, determinantes no desenvolvimento desta província.
Entre os anos 30 e 70, Luanda não mais parou de se desenvolver, multiplicando pontos de referência. A esse grande crescimento da área urbanizada seguiu-se um período de estagnação logo apôs a independência, ao contrário da área suburbana da capital que cresceu para mais do triplo da dimensão de 1974, ultimo ano de permanência da autoridade colonial portuguesa no território. A partir da década de 60 do século XX, a cidade conheceu uma explosão demográfica e em pouco mais de dez anos atingiu cerca de 880 mil habitantes e actualmente conta com aproximadamente com mais 7 milhões de habitantes. No século XX, Luanda experimentou duas situações distintas: a prosperidade e a estagnação. Se em meados da década de 1960 a cidade era das mais belas e desenvolvida de todo o continente africano, apôs a independência e sangrenta guerra civil, a situação mudou radicalmente. Com o fim da guerra civil no início de 2002. Luanda buscou retomar o caminho do progresso e do desenvolvimento.