Conheça um pouco da Cultura de Luanda

Dança, Música, Carnaval, Artesanato...

Os primeiros registos do Carnaval angolano datam de 1857, referindo a festa popular dos Kimbundus que ocorria em Luanda e noutras cidades angolanas cidades alegres e extrovertida, que gosta de dançar, em Luanda o Carnava é uma tradição que se repete sem interrupções desde 1978.

A nova Marginal de Luanda (Rua Dr. António Agostinho Neto), acolhe centenas de milhares de pessoas ao longo de do espaço onde desfilam os grupos carnavalesco. Enquanto fenómeno de assimilação de diferentes elementos culturais, o Carnaval de Luanda assumiu sempre a sua faceta sócio-politica, representando e caricaturando as situações sociais e as personalidades das diferentes épocas.

No entanto, por influência dos portugueses, destaca-se a recriação da corte, onde o ri, a rainha, príncipes e princesas envergam coras, elmos e roupas de cetim, lembrando as figuras da corte europeia. Mas todos festejam o Carnaval e as mulheres vestidas com panos multicoloridos são peixeiras da Ilha de Luanda ou das comunidades da Samba Grande e Corimba ou quitandeiras dos bairros Sambizanga Kilamba Kiaxi. Durante três dias, os luandenses descobrem o prazer de festeja, nesta manifestação de alegria em que diversos grupos desfilam ao da Avenida Dr. António Agostinho Neto ao ritmo do semba, revelando os inegáveis laços com o Brasil, embora o Carnaval de Luanda seja animado por uma democracia de ritmos, como a Kabetula, o Semba ou Varina, a Cidralia, a Kazukuta e a Dizanda, claramente diferenciados pelos seus ritmos, passos, coreografia e indumentária próprios.

Ao contrário da páscoa dos judeus que é fixa, a Páscoa dos católicos não pode ter uma data fixa, a fim de que não haja coincidências, obrigando assim a marcação das datas do Carnaval de acordo com o calendário litúrgico. A marcação das datas do Carnaval assim obedece as regras que determinam a Páscoa dos católicos.

Edição Ano Grupo Tipo Distrito
1 1978 União Operário Kabocomeu Kazukuta Sambizanga
2 1979 Feijoeiros do Ngola Kimbanda Cidralia Samba
3 1980 União Munda da Ilha Semba Ingombota
4 1981 Feijoeiros do Ngola Kimbadanda Cidralia Ingombota
5 1982 União Munda da Ilha Semba Ingombota
6 1983 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
7 1984 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
8 1985 União Kiela Semba Sambizanga
9 1986 União Kiela Semba Sambizanga
10 1987 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
11 1988 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
12 1989 União Kiela Semba Sambizanga
13 1990 União Kiela Semba Sambizanga
14 1991 União 10 de Dezembro Semba Maianga
15 1992 União Amazonas do Prenda Semba Maianga
16 1994 União Angola Independente Semba Kilamba Kiaxi
17 1995 União Angola Independente Semba Kilamba Kiaxi
18 1996 União Angola Independente Semba Kilamba Kiaxi
19 1997 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
20 1998 União 54 Semba Maianga
21 1999 União 10 de Dezembro Semba Maianga
22 2000 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
23 2001 União Kazukuta do Sambizanga Kazukuta Sambizanga
24 2002 União 10 de Dezembro Semba Maianga
25 2003 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
26 2004 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
27 2005 Unidos do Kaxinde Semba Ingombota
28 2006 União 10 de Dezembro Semba Maianga
29 2007 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
30 2008 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
31 2009 União Kiela Semba Sambizanga
32 2010 Unidos do Kaxinde Semba Ingombota
33 2011 União Sagrada Esperança Semba Rangel
34 2012 União Jovens da Cacimba Semba Maianga
35 2013 União Njinga Mbandi Cabeçinha Viana
36 2014 União Sagrada Esperança Semba Rangel
37 2015 União Sagrada Esperança Semba Rangel
38 2016 União Njinga Mbandi Cabeçinha Viana
39 2017 União Mundo da Ilha Semba Ingombota
40 2018 União Recreativo do Kilamba Semba Rangel
41 2019 União Recreativo Kilamba Semba Rangel

Para marcar os dias do Carnaval, segue-se a seguinte regra: primeiro determina-se o “equinócio da primavera” (ponto ou momento que o sol corta com o Equador, tornando os dias iguais às noites. Ocorre em dois dias do ano: 21 e 22 de Março no hemisfério norte ou a 22 e 23 de Setembro, no hemisfério sul. Vamos, portanto, considerar os dias 21 e 22 de Março, já que as regras foram estabelecidas no hemisfério norte.

Constatasse que a lua nova que antecede o equinócio da primavera procede à “lunação do equinócio” (espaço compreendido entre as duas luas novas consecutivas e que consta de 29 dias, 12 horas, 40 minutos e 2 segundos).O primeiro domingo de apôs do 14º dia da lua nova é o domingo de Páscoa, ou o primeiro domingo apôs a lua cheia, posterior ao equinócio é o domingo de Páscoa. Se o 14º da lua nova ou da lua cheia posterior ao equinócio da primavera for a 21 de Março- sábado, o domingo da Páscoa será no dia 22 de Março. Entretanto, se a primeira lua cheia, isto é, o 14º dia apôs o equinócio da primavera for de 29 dias depois de 21 de Março, o domingo de Páscoa só poderá ser a 25 de Abril, isto é o mais tarde possível. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de Março, se situa necessariamente 11 de Março e 5 de Abril a Páscoa só pode cair entre 22 de Março e 25 de Abril. O domingo da Carnava será sempre no 7º domingo que antecede o domingo

Constituindo uma manifestação artística e cultural bastante divulgada e diversificada entre os diferentes grupos étnicos de Angola, a música tradicional reflecte e revela o espírito e toda a vivência comunitária. Na vida de comunidade, há momentos de alegria, de tristeza, de nobreza ou de representações ideológicas. A produção de instrumentos musicais expressa o ´´modos de viver´´ das comunidades e o papel espiritual que representam nos diferentes momentos e contexto social, político, económico e cultural. A música tradicional angolana é ritualista sendo executada em cerimónias de nascimento,puberdade, casamento, caca, funeral, em cânticos religiosos ou para a chuva. A interpretação é feita com instrumentos populares de origem artesanal, geralmente de percussão. Os instrumentos musicais tradicionais utilizados são geralmente de madeira ou couro e dividem-se em diferentes categorias conforme o tipo de som: idiofones, membrafones, aerofones, cordofones e os instrumentos de lâminas. Nos idiofones, o som é obtido pela sua vibração inteira e os instrumentos podem ser de percussão, de entrechoque ou sacudidos. Os membrafones são instrumentos exclusivamente de percussão e o som é produzido por meio da vibração de uma membrana, existindo vários tipos variando no tamanho, no aspecto, no material utilizado e no som produzido. Antigamente eram usados por grupos tribais angolanos para enviar mensagens. Os aerofones são instrumentos de sopros como apito, flautas, pífaros e trompas. Os cordofones são instrumentos cujo som é produzido pela vibração de cordas esticadas entre dois pontos fixos. As cordas podem ser percutidas esfregadas ou beliscadas. Os instrumentos de lâminas têm um som produzido pela vibração de placas de metal quando pressionadas com os dedos, normalmente os polegares. O kissanji é um instrumento de som fluído, utilizado em caminhadas longas ou como fundo musical de histórias contadas por ancião em noite de lua cheia, ao redor de uma fogueira. Os fabricantes e os exímios tocadores dos diferentes instrumentos musicais tradicionais têm uma relação estreita com os bailarinos que, comovidos com os vibrantes sons dos membrafones, cordofones, idiofones ou aerofones, exibem os seus dotes de dança que contagiam a assistência. Nos inúmeros mercados ao ar livre de Luanda, a capital angolana, há sempre um pequeno grupo de músicos cantando, em seus próprios dialectos, canções de terras distantes e histórias esquecidas. Não é raro que os músicos façam os seus instrumentos, como os tambores ngoma, moldados a partir de troncos de árvores, ou marimbas. Os dançarinos exibem os troncos de árvores, ou marimbas. Os bailarinos exibem as coreografias baseadas em tradições tribais e aos poucos, os músicos, os dançarinos e assistência confundem-se numa grande festa, em que todos são tomados pela nostalgia das suas origens. Luanda é o berço de diversos estilos musicais como o Merengue angolano, Kazukuta, Kilapanga e Semba. Na Ilha ao largo da costa de Luanda, nasce a Rebita, um estilo que tem por base o acordeão e a harmonia. O semba, que partilha raízes com o samba, e também predecessor da Kizomba e Kuduro. É uma música de características urbanas e surge com o crescimento de Luanda. Motivados por uma paixão pelos ritmos nacionais, os músicos integram muitas vezes influenciais de estilos musicais de artistas congoleses e latinos – americanos. O respeito e admiração pela música, dança, provérbio e vivência das gentes, o interesse pela música tradicional e pela cultura suburbana enquanto divulgação dos usos e costumes da cultura angolana, são as linhas mestres das canções.

Em Luanda, a dança distingue diversos géneros, significados, formas e contexto, combinando a vertente recreativa com o seu estatuto de veículo de comunicação religiosa, curativa, ritual e de intervenção social. Não se restringindo ao âmbito tradicional e popular, manifesta-se igualmente através de linguagens académicas e contemporâneas.

A presença constante da dança no quotidiano resulta de um contexto cultural apelativo para a interiorização de estruturas rítmicas. Iniciando-se pelo estreito contacto das crianças com os movimentos da mãe (as costas da qual é transportada), esta ligação é fortalecida através da participação dos jovens nas diferentes celebrações sociais, onde a dança se revela determinante enquanto factor de integração e preservação da identidade e do sentimento comunitário. Apesar da profissão de bailarino na sociedade tradicional ser frequentemente herdada, é rigoroso ensino baseado em códigos e organizações coreográficas específicas efectuando nestas instituições, que conduz á profissionalização dos mais dotados. É o caso dos Akixe ou bailarinos mascarados, preparados pela Mukanda, a escola tradicional de iniciação masculina entre o povo Cokwe. Existem danças infantis, danças para jovens e outras destinadas a indivíduos do sexo masculino e feminino como a dança fundura, interpretada pelas jovens kwanyamas, na sua festa de puberdade. Indissociáveis da música, as danças são acompanhadas por instrumentos de músicas específicos e requerem diferentes pecam de vestuários, adornos e certas inscrições corporais, de acordo com o significado e âmbito das mesmas. A disposição espacial mais frequentes é a roda em que todos mesmos os que assistem, participam activamente, marcando o ritmo e entoando as canções. Paralelamente, a música e a grande variedade de danças como a cabetula, o semba ou Varina, a cidralia, kazukuta e a Dizanda, claramente diferenciadas pelo seus ritmos, passos, coreografias e indumentária próprios, são genuinamente africanas. Danças populares urbanas como kuduro, o Gato preto, o Kwasa-Kwasa, ou o Dombolo, vão surgindo numa espécie de moda e como vida mais efémera.
O Kizomba é uma terminologia angolana da expressão linguística kimbundo, que significa “ festa”. A expressão Kizomba, como dança, nasceu em Angola nos anos 80 em Luanda, após as grandes influências musicais do zouk, e com a introdução das caixas rítmicas drum-machine, depois com os grandes concursos que invadiram Angola. O kuduro é um estilo e dança recreativa angolana, de exibição individual ou em grupo. Trata-se da fusão da música batida com estilos tipicamente africanos, criados e misturados por jovens angolanos, entusiastas e impulsionadores do estilo musical e da dança. A Rebita é um género de música e dança de salão angolana que demonstra a vaidade dos cavalheiros e o adorno das damas. Dançada em pares em coreografias coordenadas pelo chefe da roda, enquanto se vai desenvolvendo no salão, as trocas de olhares e os sorrisos entre o par são frequentes. A Rebita é uma dançada numa marcação de dois tempos, através da melodia da música e o ritmo dos instrumentos. O semba é uma dança de salão angolana urbana e caracteriza-se como uma dança de salão angolana urbana e caracteriza-se como uma dança de passadas. Dançada a pares, o malabarismo dos cavalheiros conta muito á nível do improviso o semba é uma dança de divertimento principalmente em festas.

Para o êxito da sua odisseia, Paulo Dias de Novais fazia-se acompanhar de missionários católicos (Jesuítas) e uma das preocupações foi a construção de ermidas, que tempos depois se transformaram em importantes Igrejas,com destaque para a Igreja da Misericórdia (1576), a Sé Episcopal (1583), a Igreja dos Jesuítas (1593), o Convento de S. José (1604), a Igreja do Carmo (1661) e o Hospício de Santo António, no sítio onde se encontra actualmente o Jardim da Cidade Alta (1668).

A sua construção iniciou-se em 1661, com a vinda dos primeiros carmelitas descalços para Luanda, por ter sido este o local considerado apropriado à vida da comunidade. Obra representante da arquitectura do século XVII, a igreja de Nª Sr.ª do Carmo chama atenção pelo tecto pintado à mão, pelo coro e pelos azulejos setecentistas. Num anexo da igreja, o antigo Convento do Carmo é hoje sinónimo de paz e tranquilidade para os seus visitantes.

Foi inaugurada em 1679 pelo Bispo D. Frei Manuel da Natividade, sendo então a igreja da paróquia de Remédios da Praia. Após percorrer várias igrejas luandenses, a Sé Catedral fixou-se em 1828 na Igreja de Nª Sr.ª dos Remédios, tendo sido elevada a Sé da Arquidiocese de Luanda em 1941.

Tipicamente tropical, a igreja da Nossa Senhora dos Remédios e actual Sé de Luanda, encanta pelas frondosas palmeiras de seu adro pelas torres gémeas que enobrecem a fachada e revela no seu interior dois tamarindeiros seculares, e no seu adro magníficos azulejos historiados.

Em todos os tempos, a falta de água constitui um angustiante problema.

Em pleno século XVII; foram construídos dois poços – Maianga do Povo e Maianga do Rei – que durante muito tempo abasteceram a população de água potável.

Situada entre Avenida Revolução de Outubro e a Marien Ngouabi, foi provavelmente criada entre 1641 e 1648, tendo abastecido durante três séculos a população de água potável. Encontra-se classificada como Monumento Nacional pela portaria n. 6981 de 28 de Dezembro de 1949.

Situa-se na margem direita da rua da Samba, tendo sido construída no mesmo período da Maianga do Povo. Pelo seu valor histórico encontra-se classificada como Monumento Nacional pela portaria nº 6981 de 28 de Dezembro de 1949. Arquitecturas Museus Carnaval Teatros Cinemas Clubes noturnos.

Reflexo das diferentes etnias que habitam o país, o artesanato angolano é rico e variado. Além do seu valor estético, a arte africana tem sempre um valor funcional e todas as peças possuem um significado, uso ou ritual. Entre os criadores e artistas angolanos, existe uma grande preocupação em aliar a beleza visual e estética com o significado simbólico. Tão antigas como o mundo, as máscaras são mil rostos sobre um rosto e conservam um sentido mágico-animista, encontrando-se ligadas a ritos e a explicações religiosas. Totémicas, guerreiras ou iniciáticas, a variedade de papéis representados pelas máscaras fazei delas objectos sagrados que se ligam a momentos importantes na vida comunitária. Tendo cada uma a sua própria história, as máscaras angolanas representam um papel fundamental na realização de cerimónias e ritos, tanto de iniciação masculina como feminina, fúnebres, representando a vida e a morte, a passagem da infância à vida adulta, a celebração de uma nova colheita ou o começo da estação da caça. Algumas apresentam figuras antropomórficas, outras zoomórficas e mesmo geométricas. Os artesãos angolanos trabalham a madeira, o bronze e o marfim nas máscaras ou em esculturas. Cada grupo etnolinguístico em Angola tem seus próprios traços artísticos originais.

Em comum, as máscaras detêm um poder sobrenatural que consagram as instituições e servem de mediadores entre o mundo dos vivos e dos espíritos dos antepassados. O universo das máscaras angolanas é indissociável da música, da dança e das cerimónias ligadas às sociedades secretas constituídas pelos mais velhos, que zelam noite e dia pela comunidade. As máscaras despertam um fascínio dos ocidentais pela cultura africana. O artesanato angolano encontra-se no Mercado do artesanato, no bairro do Benfica, a sul de Luanda.

A pesca artesanal é uma das fontes mas importante do rendimento de uma parte da população, especialmente a que se encontra ao longo da costa marítimas e nas zonas ribeirinhas do Bengo e do Kwanza.

O sector das pescas tem diversas áreas de actividade. Como a tradução pesqueiras, que trata das capturas com barcos de pescas industrias, pequenas – indústrias artesanais Outra área é a da transformação, de peixe seco e de meia cura, a indústria extractiva de sal, a filetagem e a produção de gelo. A aquacultura, actividade em grande expansão, destina-se a criação de peixe em viveiros marinhos e fluviais. A cidade tem cinco estaleiros navais e uma doca flutuante e ocupa-se da manutenção, reparação e construção de navios e embarcações de pesca.