HISTÓRIA DE LUANDA

FUNDAÇÃO DA CIDADE DE LUANDA

Fundada há 25 de Janeiro de 1576, segundo a interpretação etimológica, a palavra “Luanda” ou “Lwanda”, na grafia da língua kimbundo, significa “tributo”.

A Ilha a que o termo se referia era, naquele tempo, feudo (fonte de renda) do Rei do Congo e o zimbo nele explorado servia de instrumento monetário de larga circulação em toda a região. Desse modo, os habitantes da região eram tributários do Rei do Congo. Luanda é uma cidade que se foi inventando a si própria.

Corpo vivo de um mistério passado, nasceu da vontade dos homens que sonharam de olhos abertos com efeitos grandiosos na conquista ou libertação. A forte atração excedida pela cidade, onde viveram reis e escravos, pescadores e marinheiros, aventureiro e missionários, locais e europeus, revelou-se desde o início da sua história. Primeiro capitania, depois vila e mais tarde cidade, as páginas da história de Luanda foram se escrevendo por muitas mãos.

OS PRIMEIROS HABITANTES

O território angolano foi habitado desde a idade da pedra, como indicam os vestígios de arte rupestre ao longo do litoral, mas foi na idade do ferro que se origina as primeiras migrações de povos mais evoluídos, vindo do norte do continente africano, provavelmente da região onde atualmente se situam a Nigéria e os Camarões, os Bantu introduziram em Angola novas técnicas como a metalúrgica, a cerâmica e a agricultura, criando então as primeiras comunidades agrícolas.

Por volta de 1400, surgiram neste território dois grandes sistemas: o Reino do Congo e o Reino Ndongo. O mais poderoso foi o Reino do Congo, assim designado por causa do povo Congo que vivia, então como agora nas duas margens do curso final do rio Congo. O Mani Congo, ou Rei do Congo tinha autoridade sobre a maior parte da atual Angola, governando através de chefes menores que eram responsáveis pelas províncias. O Reino do Ndongo era habitado pela etnia Kimbundo e o seu Rei tinha o título de Ngola, daí a origem do nome do país, Angola. Devido o seu prestígio e poder económico, os reinos começaram a conquistar a sua autonomia e eram território apetecível para marinheiros e colonizadores. Em Portugal, o Rei D. João II mostrava empenhado em levar a cabo dois grandiosos projetos, cuja realização, glorificando seu reinado, aumentaria extraordinariamente os domínios portugueses além-mar.

INVASÃO E DESCOBERTA COLONIAL

Tratava-se das descobertas inauguradas sob o comando auspicioso do Infante D. Henrique e o prosseguimento das conquistas empreendidas por D. Afonso. Foi em 1575, depois de, o governador português Diogo Cão ter assinalado com os seus padrões toda a costa de Angola, entre 1482 e 1486 e do Zaire ao Cabo Negro, que Paulo Dias de Novais, futuro capitão-Mor das conquista do reino de Angola, desembarcou na Ilha de Luanda, habilitado com a carta donatária de 19 de Setembro 1571, de El-Rei D. Sebastião, que o instituía como Primeiro Governador e conquistador do Reino de Angola, Paulo Dias de Novais partira de Lisboa, em 23 de Outubro de 1574, em sete navios com a armada que o acompanhava. Chegou a Ilha de Luanda em 11 de Fevereiro de 1575, com cerca de 700 pessoas, 350 das quais homens de armas, padres mercadores e servidores, estabelecendo o primeiro núcleo de portugueses, dispostos a efectuarem conquistas temporal espiritual da terra. Aqui encontrou, além de alguns compatriotas, muita gente que nela vivia, no dizer dos cronistas, “muito bem disposta ao cristianismo”.

Um ano depois, reconhecendo que a ilha era pequena e por isso não constituir “ o lugar acomodado ideal para a capital da conquista”, Paulo Dias de Novais avançou para terra firme e fundou, no porto que se localizava em frente a Ilha, a vila de São Paulo de Luanda. Logo em seguida lançou a primeira pedra para a edificação da igreja de São Sebastião e criou os cargos e ofícios necessários ao governo da nova colónia.

O século XVII foi decisivo para a firmação de Luanda como ponto estratégico no comércio, entre África, Europa e Américas. As disputas territoriais pelas terras africanas envolviam países económica e militarmente mais forte que Portugal, como a França, Inglaterra e Alemanha, o que constituía motivo de grande preocupação para o reino instalado em Luanda, que começou sentir a urgência de um domínio mais eficaz do terreno conquistado. As primeiras perturbações causadas pelas investidas holandesas tiveram lugar em 1624 e 1633. Arma-se em Luanda cinco navios de guerra para combater os maus que ameaçavam o comércio em Benguela. Em 24 de Agosto de 1641, apareceu na baía a grande armada, sob o comando do Almirante Pedro Houtbeen. Alarmados, o povo e o governo abandonaram a cidade, que caiu no poder dos holandeses.

Salvador Correia de Sá e Benevides, que tinha realizado no Brasil uma notável obra de governação, quer em terra quer em mar, foi encarregado pelo Rei D. João IV para promover a restauração de Angola.

Acompanhado de 1.200 e uma frota de 12 navios, fez-se ao mar em 1648, fundando em 12 de Agosto na baía do Quicombo. A inclemência do mar faz perder um navio com 300 homens, mas mesmo sem eles, Salvador Correia de Sá fez chegou a baía de Luanda, com a admiração dos holandeses, convencidos tratar-se de um simples guarda avançada de uma grande esquadra. Apressadamente se refugiam na fortaleza de S. Miguel, mas apôs o desembarque feito na manhã seguinte, a 15 de Agosto e em assalto bem conduzido, o inimigo rendeu-se por menos pela metade de homens portugueses.

MUDANÇA DO NOME

O nome da cidade foi mudado apôs a sua reconquista, passando a designar-se São Paulo de Assunção de Loanda, em homenagem a virgem, por ser aquele o dia da sua assunção. À sua volta foi crescendo e irradiando a vila, que mais tarde ganharia o contorno e o estatuto de cidade, tendo-se iniciado um novo período onde são notados os esforços para restauração do que havia sido destruído pela invasão holandesa. Algumas das edificações da época, como a fortaleza de S. Miguel, do penedo da Santa Cruz, várias igrejas, algumas já desaparecidas, os conventos dos jesuítas dos Terceiros Franciscanos, o Hospital da Misericórdia e casario diverso, principalmente na baixa da cidade, foram assim restaurados.

DESENVOLVIMENTO DA CIDADE

As características da urbanização da cidade foram tomando aspectos diferente, conforme a civilização e os conhecimentos de cada época. Até meados do século XVIII a urbanização foi subordinada as razões de ordem políticas, económica e geográfica.

Apôs esta época aperfeiçoaram as práticas urbanísticas, como resultado da expansão colonial. Entraram em ação outros factores urbanos, com o saneamento a estética, melhoraram os meios defensivos coloniais e o abastecimento e distribuição de alimento.

No século XIX produziram-se extraordinárias mutações no destino de Angola. Durante muito tempo, a economia de Angola girou m torno do comercio de escravos e da exploração do marfim, perfil este que foi alterado com a conquista de novas terras no interior e com a construção do caminho de ferro até Malange, abrindo novas possibilidades para o comercio. Com a abolição do tráfico da escravatura, a necessidade de reformular os processos comerciais, a estruturas económicas e sociais e as tendências humanitárias impuseram-se. A terra foi habitada por gente disposta a fixar suas raízes profunda no solo angolano, para a promoção do progresso e da civilização. No século XIX, a urbanização de Luanda avançou mais um grande passo e conheceu o progresso urbano. Na viragem do século XIX para o século XX, melhoraram todas as vias de acesso à cidade, tal como a pavimentação das ruas e a qualidade das edificações.

Entre os anos 30 e 70, Luanda não mais parou de se desenvolver, multiplicando pontos de referência. A esse grande crescimento da área urbanizada seguiu-se um período de estagnação logo apôs a independência, ao contrário da área suburbana da capital que cresceu para mais do triplo da dimensão de 1974, último ano de permanência da autoridade colonial portuguesa no território. A partir da década de 60 do século XX, a cidade conheceu uma explosão demográfica e em pouco mais de dez anos atingiu cerca de 880 mil habitantes e, actualmente conta com mais 8 milhões de habitantes. No século XX, Luanda experimentou duas situações distintas: a prosperidade e a estagnação. Se em meados da década de 1960 a cidade era das mais belas e desenvolvida de todo o continente africano, apôs a independência e a sangrenta guerra civil, a situação mudou radicalmente. Com o fim da guerra civil no início de 2002. Luanda buscou retomar o caminho do progresso e do desenvolvimento.